Ao se falar em trabalho em equipe logo se pensa no objetivo, e em formar um pensamento único para que toda equipe caminhe igualmente, seguindo em uma única direção. Este é o pensamento que em geral predomina dentro da equipe esportiva. Mas será este o ideal para a formação de uma equipe coesa, forte e de fato unida?
Seja no esporte individual ou coletivo, a equipe é composta por pessoas, seja esta equipe pequena e restrita a um atleta e seu treinador como nos esportes individuais, ou uma equipe com uma grande comissão técnica e diversos atletas, seja ela numerosa ou não, sempre apresentará pensamentos particulares, afinal todo sujeito é único e busca seus próprios desejos a partir de sua individualidade. Podemos perceber aí uma sutil e primordial questão ao trabalho em equipes, o pensamento de cada atleta remete-se sempre a sua história de vida que é única, muitas vezes similar ao pensamento do grupo, mas não é o pensamento do grupo em si. O pensar do atleta é singular, pois ele pensa qual caminho vai traçar para si.
Aí surge uma pergunta e nos esportes coletivos: cada um vai pensar por si? E a equipe? Bom, a equipe tem um objetivo em comum, visa o desempenho frente a um campeonato, mas, para se estabelecer enquanto equipe, precisarão de atletas, indivíduos coesos.
Uma equipe esportiva, em especial as de rendimento devem estar em harmonia e com um objetivo em comum, entretanto o pensar é individual, cada atleta tem sua forma de pensar, e se move por seus impulsos particulares. Assim é imprescindível, preservar a individualidade dos atletas, respeitar a individualidade de cada atleta potencializa a coesão no grupo, pois, desta forma sempre há espaço para que cada atleta possa se expressar, não estando somente reagindo e atuando de forma mecânica.
Assim, observamos que tanto no esporte individual, quanto no coletivo, se faz notável a importância de se desenvolver pessoas. O trabalho analítico, busca em seu trabalho com equipes, instigar o singular de cada atleta, e não simplesmente determinar um pensamento único.
Esta postura que privilegia o pensamento heterogêneo dentro da equipe, apesar de a princípio poder parecer contraditório, é o que ao longo do tempo trará maior riqueza a equipe, pois a pluralidade de idéias e condutas enriquece o grupo, que a partir do respeito mútuo desenvolvido entre os atletas, formará uma equipe mais forte, e preparada para imprevistos e reações mais rápidas frente as decisões necessárias durante um jogo, uma competição.
Estimular este singular do atleta lhe traz clareza para agir junto ao grupo. Favorece a união e respeito entre os atletas. Além disto, os atletas se sentem mais valorizados e confiantes, com sentimento de pertencimento ao grupo, pois são ouvidos a partir de sua singularidade.
Como dizia Nelson Rodrigues, “Toda unanimidade é burra”, burra sim, se todos seguem cegamente a uma ordem sem compreender seu propósito com clareza. Devemos buscar a unanimidade inteligente, conhecendo a si próprio o atleta poderá mais facilmente se integrar ao grupo e de fato formar uma EQUIPE.
Kleberson Palma, Psicólogo (CRP 06/94550), Atua com consultório e no esporte, com a triatleta profissional Verônica Martins. Com a equipe de base do São José Rugby M-15 e M-17, e com a Seleção Brasileira de Rugby Seven - Juvenil ( http://klebersonpalma.blogspot.com // palma.k@uol.com.br ).