DIVIRTA SEUS ATLETAS, NÃO APENAS TREINE ELES

Por Wayne Goldsmith, Austrália, publicado na Revista Coaches Quarterly da USA Swimming edição de 2005. Tradução de Alex Pussieldi.

Retirado do site : www.bestswimming.com.br/conteudo.php?id=4528

10 DICAS PARA MOTIVAR SEUS NADADORES NO TREINAMENTO

1) Todos os nadadores adoram training camps. Isto oferece variedade, troca de ambiente, formas diferentes de trabalhos, experiências novas. O desafio é manter o espírito positivo durante todo o programa de trabalho. Uma dica seria fazer de cada semana uma espécie de “training camp” durante o ano todo, trabalhando com variedade, criatividade e em alto astral.
2) Utilize os “velhos educativos”, as “velhas séries” mas adicione novidades e formas diferentes de execução quebrando a rotina. Introduza novos equipamentos e acessórios.
3) Convide treinadores de outros esportes a assistirem seu treinamento. Discuta e escute o que eles tem a acrescentar, idéias novas, sugestões e avaliações vindas de fora sempre serão válidas.
4) Aceite contribuições de seus atletas. Idéias deles sempre são criativas e tem boa aceitação no grupo.
5) Incentive e abre espaço para as atividades sociais dentro do seu programa. A nível de famílias, atletas, algo que venha a fazer seu programa crescer como estrutura.
6) Motive os seus atletas como atletas não somente focado na performance. Lembre que estás formando cidadãos e não somente atletas.
7) Modifique o velho sistema de aprendizagem. Incorpore o sistema de tentativas e acertos, faça com que seus atletas tenham a oportunidade de de experimentar novas situações.
8) Treine em lugares diferentes, ambientes diferentes, horários diferentes, situações diferentes. Comece o treino de locais diferentes na piscina, sempre procure encontrar meios de fazer tudo mais divertido.
9) Informatize o seu trabalho. A nova geração sempre está a busca de novas técnicas e programas. Esta geração está cada vez mais exigente.
10) Venda a idéia dos aspectos positivos do nosso esporte aos pais dos atletas. Itens como auto-estima, auto-motivação, disciplina, capacidade de suportar pressão e controle de emoções são fatores amplamente desenvolvidos com o esporte. Fatores que são levados para a vida toda e não apenas na carreira desportiva.

O olhar da Psicanálise sobre a atividade esportiva


O olhar da Psicanálise sobre a atividade esportiva:
Aprendendo sobre SUJEITO, compreendendo o SINTOMAL.

Com uma visão psicodinâmica sobre os sujeitos, a psicanálise concebe que o funcionamento humano se baseia na relação entre os impulsos e outras forças internas a pessoa, e assim atua sobre o bem estar do atleta, um bem estar completo da pessoa.
É importante ressaltar que para esta abordagem de que tratamos, a Psicanálise, a formação psíquica do sujeito se estrutura, e se institui, desde seu nascimento ao primeiro contato com o outro que o acolhe, primeiro contato este normalmente feito com a mãe, onde este sujeito passa a se relacionar com o mundo da linguagem, é a partir da fala, da palavra que a mente humana irá se organizar. Este é o momento em que o ser humano passa a se diferenciar de um corpo animal para ser um sujeito. Sujeito este, único, pois seu funcionamento psíquico está estruturado pelo privilegio das situações de prazer e evitação das situações de desprazer, vividas pela escolha de cada um.
Em muitos momentos, seja nos treinos ou nas competições, o atleta pode não se sentir bem, e nem sempre consegue identificar o que é isto que lhe causa este mal-estar, sentimentos que em certas ocasiões podem até causar estranheza e incomodar, situações às vezes, imperceptivas e incompreensíveis, como dificuldades do dia a dia, falta de disposição, angustias, dificuldade em superar obstáculos e lesões. A esta sensação desconhecida damos o nome de sintomas, um mal estar que se impõe em nós, e que caberá a um profissional, auxiliar o atleta/cliente a entender esta sua queixa. Entretanto não há tratamento sem que a pessoa não reconheça e questione seu mal estar. Devemos sempre estar atentos, pois os sintomas são um sinal de alerta, ele nos serve para comunicar algo que está em desequilíbrio em nós. Podemos dizer que ele carrega em si uma verdade, um enigma a ser decifrado sobre nós mesmos.
Assim, busca-se compreender as necessidades e desejos de cada pessoa, pois cada SUJEITO é único, compreender este JEITO singular é olhar para a construção particular de vida de cada um. Desta forma olhamos sempre a pessoa, como um sujeito, pois é SU – JEITO, que tem importância nesta relação. Por ser uma prática de livre associação, não é treinável, nem segue padrões pré-determinados, já que atua na singularidade de cada um. A psicanálise em seu modo de atuação instiga as re-significações, entre as experiências de prazer e desprazer, Significações marcadas no sujeito através das lembranças de suas experiências já vividas.
Desta ótica, do sujeito singular e seu mal estar, ressalta-se a importância de compreender então, esta questão do sintomal. Questão SINTO – MAL refletida sobre SU – JEITO. Compreender o que se apresenta como sintoma a este seu jeito individual, possibilita o surgimento de um espaço para se desvendar o que está oculto, causando estranheza e mal estar, logo, potencializando a produção de significado a este sintomal. É atrás do discurso, da palavra falada que a pessoa se re-significa, e encontra um novo saber sobre si.
O discurso sobre SU – JEITO, o reestrutura psiquicamente a partir da palavra falada, a pessoa encontra um novo saber sobre si, pois como sujeito particular, este atleta, por exemplo, vai reagir frente as situação no esporte, de forma similar a que reage a uma situação familiar, ou em qualquer outro contexto. Porém, o sujeito só se percebe, só se reconhece, quando se expressa, é a partir da fala que o sujeito aparece, pois seus sintomas psíquicos ocorrem sempre de forma inconsciente e involuntária.
Desta forma a psicanálise concebe que: “...a constituição psíquica do sujeito se dá através de marcas adquiridas desde o nascimento e que nunca cessam. Neste sentido, o corpo, como linguagem, não seria somente um meio de expressão; mas sim um receptáculo de marcas de estímulos internos e externos que mesmo quando ainda o sujeito não se encontrar constituído inscrevem a harmonia, desarmonia, frustrações e satisfações. (Reforça-se aqui que tais marcas podem intervir positiva ou negativamente na prática desportiva). Este deixar falar ou este verbalizar tudo em alguns momentos se traduz, numa associação livre como recurso metodológico de leitura psicanalítica. É deixando livre o curso das associações que o sujeito poderá estabelecer novas conexões, no caso, do contexto desportivo”. (RAMIREZ, s/d).
Atleta e analista, através da promoção da fala e produção de discursos, acessa lacunas de um conhecimento sobre si até então não reconhecidos, e a partir deste novo conhecimento o atleta se torna mais consciente de suas ações e passa a ter não somente mais conhecimento, mas um saber fazer perante as situações que se apresentarem. No esporte moderno, o condicionamento físico de forma isolada não é mais suficiente, é preciso atuar de forma estratégica/inteligente, pois mesmo onde o sujeito não pensa, ele escolhe.
É fundamental saber sobre SU – JEITO para compreendermos e superarmos o SINTO – MAL.
E cabe sempre a questão: O que quer dizer o meu SINTO-MAL?





Material citado no texto retirado de:
RAMIREZ, F. A Psicanálise Enquanto Elemento das Ciências Desportivas. Buenos Aires: 2001. Disponível em:<http://psicanalisesporte.wordpress.com/textos/ciencias/>. Acesso em: 10nov. 2008.


Kleberson Palma, Psicólogo (CRP 06/94550), Atua com consultório e no esporte, com a triatleta profissional Verônica Martins. Com a equipe de base do São José Rugby M-15 e M-17, e com a Seleção Brasileira de Rugby Seven - Juvenil ( http://klebersonpalma.blogspot.com // palma.k@uol.com.br ).